{"id":3716,"date":"2018-05-09T16:26:41","date_gmt":"2018-05-09T18:26:41","guid":{"rendered":"http:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/?p=3716"},"modified":"2018-05-09T18:07:18","modified_gmt":"2018-05-09T20:07:18","slug":"contextos-principios-observacoes-e-o-que-nao-e-a-abordagem-pikler","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/contextos-principios-observacoes-e-o-que-nao-e-a-abordagem-pikler\/","title":{"rendered":"Contextos, Princ\u00edpios, Observa\u00e7\u00f5es e o que n\u00e3o \u00e9 a Abordagem Pikler"},"content":{"rendered":"<p>Por que voc\u00eas usam a caixa de luz? Porque nossa escola tem um \u201cEstilo Reggio Emilia\u201d.<\/p>\n<p>Na parte de hist\u00f3rias e artes, seguimos a proposta Waldorf.<\/p>\n<p>Fazemos atividades individuais, bem estilo Montessori.<\/p>\n<p>Usamos os cantinhos de Freinet, adaptados.<\/p>\n<p>N\u00f3s usamos a abordagem Pikler, os beb\u00eas comem sozinhos.<\/p>\n<p>Agora seguimos o BNCC ent\u00e3o, vamos mudar todo o planejamento.<\/p>\n<p>Voc\u00ea j\u00e1 deve ter ouvido uma frase dessa pelo menos uma vez. Eu j\u00e1 ouvi essas e poderia escrever muitas p\u00e1ginas com outras que ou\u00e7o de educadores, gestores e at\u00e9 pais quando explicam as propostas ou o tipo de abordagem das institui\u00e7\u00f5es educacionais.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, na maioria das vezes, quando fa\u00e7o perguntas mais espec\u00edficas sobre os caminhos que fizeram essas institui\u00e7\u00f5es escolherem propostas baseadas em determinadas abordagens, percebo que existe um obst\u00e1culo: <strong>Um obst\u00e1culo constitu\u00eddo de um conhecimento que resiste a um novo conhecimento. (Cientificamente chamado de obst\u00e1culo epistemol\u00f3gico).<\/strong><\/p>\n<p>Uso a caixa de luz como uma atividade Reggio Em\u00edlia, mas n\u00e3o sei como funciona a sombra natural; n\u00e3o relaciono sombra a nenhum fen\u00f4meno natural como a passagem do tempo, as esta\u00e7\u00f5es do ano ou a posi\u00e7\u00e3o dos objetos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 luz. Sendo assim, n\u00e3o consigo identificar as perguntas das crian\u00e7as e tamb\u00e9m n\u00e3o consigo seguir as pesquisas que realizam. Apenas escrevo documenta\u00e7\u00f5es (e \u00e0s vezes lindas e rom\u00e2nticas documenta\u00e7\u00f5es) que d\u00e3o adjetivos \u00e0s a\u00e7\u00f5es das crian\u00e7as baseadas em coisas que li ou ouvi sobre o que \u00e9 experimentar a luz e sombra.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Abordagem Pikler, rec\u00e9m-chegada a um patamar de divulga\u00e7\u00e3o em larga escala, o mesmo come\u00e7a a acontecer.<\/p>\n<p>Deixamos os beb\u00eas comerem sozinhos para \u201cestimular a autonomia \u201c, mesmo que o beb\u00ea n\u00e3o tenha equil\u00edbrio para usar a colher. Colocamos o beb\u00ea no ch\u00e3o aos 4 meses para que ele possa se movimentar, mesmo que o beb\u00ea seja rec\u00e9m chegado em uma institui\u00e7\u00e3o e esteja inconsol\u00e1vel e assustado. Temos a mob\u00edlia Pikleriana, mas n\u00e3o sabemos como, quando e em que momento us\u00e1-la. N\u00e3o conhecemos nada sobre reorganiza\u00e7\u00e3o postural ou trilhos anat\u00f4micos. N\u00e3o sabemos sobre a rela\u00e7\u00e3o entre movimento, pensamento e emo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o \u00e9 que h\u00e1 um obst\u00e1culo, e esse obst\u00e1culo, se d\u00e1 exatamente no uso de um saber que se coloca como limita\u00e7\u00e3o para outros. Quando nos conformamos em fazer algo descrito na literatura como \u201calgo de impacto para o desenvolvimento das crian\u00e7as\u201d estamos bem intencionados, por\u00e9m, muitas vezes nos impedimos de ao menos nos conectar com as tr\u00eas caracter\u00edsticas principais de diferentes abordagens: <strong>Contextos, Princ\u00edpios e Observa\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n<p>A professora Dra. Sylvia Nabinguer foi a primeira pessoa que me abriu os olhos para a diferen\u00e7a entre o uso de uma abordagem e a <strong>pr\u00e1tica<\/strong> de uma abordagem. Quando usamos uma abordagem a aplicamos como uma nova forma de fazer e nos conectarmos exatamente com a <strong>\u201cforma\u201d<\/strong> (ter m\u00f3veis Pikler, fazer documenta\u00e7\u00f5es, usar caixa de luz ou deixar comer sozinho).<\/p>\n<p>\u201cEm outro caminho, podemos praticar uma abordagem, considerando sim as formas de fazer, por\u00e9m, n\u00e3o perdendo de vista o fato de que cada abordagem nasce em um <strong>CONTEXTO<\/strong> social, cultural, e de descobertas cient\u00edficas.\u201d<\/p>\n<p>Sendo assim, o que dessa forma de fazer pode ser vi\u00e1vel para a pr\u00e1tica dentro de nossos contextos? Ou melhor, quando fa\u00e7o dessa forma, como os beb\u00eas e as crian\u00e7as pequenas respondem? E o que estas respostas significam? Essas respostas aparecem com diferen\u00e7as de uma crian\u00e7a para outra ou de um beb\u00ea para outro? Como os estudos de v\u00e1rias \u00e1reas de pesquisa podem me ajudar a compreender as respostas individuais e dos grupos a estas formas de fazer?<\/p>\n<p>Pensando no exemplo da mob\u00edlia Pikler poder\u00edamos criar conte\u00fados pensando: Como beb\u00eas e crian\u00e7as criam esquemas de a\u00e7\u00e3o a partir dos m\u00f3veis pikler? Esses esquemas de a\u00e7\u00e3o desenvolvem que habilidades que n\u00e3o considerava? Como esses m\u00f3veis colaboram para a reorganiza\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma de sistemas de equil\u00edbrio? Que tipo de documenta\u00e7\u00e3o comunica melhor \u00e0s fam\u00edlias os caminhos de desenvolvimento individual? Quais os sinais do beb\u00ea nos revelam que \u00e9 poss\u00edvel alimentar-se de maneira aut\u00f4noma?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3726\" src=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pikler-4.jpg\" alt=\"\" width=\"723\" height=\"886\" srcset=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pikler-4.jpg 723w, https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pikler-4-245x300.jpg 245w\" sizes=\"auto, (max-width: 723px) 100vw, 723px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3720\" src=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-2.jpg\" alt=\"\" width=\"716\" height=\"516\" srcset=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-2.jpg 716w, https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-2-300x216.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-3719\" src=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-1.jpg\" alt=\"\" width=\"822\" height=\"660\" srcset=\"https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-1.jpg 822w, https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-1-300x241.jpg 300w, https:\/\/www.uniepre.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/pilker-1-768x617.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 822px) 100vw, 822px\" \/><\/p>\n<p>[youtube]https:\/\/youtu.be\/AkZZqw5gpTw[\/youtube]<\/p>\n<p>Questionar nos faria ascender para al\u00e9m da forma e produzir com beb\u00eas e crian\u00e7as, novos \u201cconte\u00fados\u201d. Ou seja, a forma de fazer inspirada em uma abordagem nos levaria a compreender melhor cada crian\u00e7a e tamb\u00e9m os adultos que cuidam dela.<\/p>\n<p>\u201cTodas as abordagens e pedagogias t\u00eam <strong>PRINC\u00cdPIOS<\/strong> claros, e todas as pr\u00e1ticas dentro de uma abordagem se baseiam nestes princ\u00edpios.\u201d<\/p>\n<p>Os princ\u00edpios nos ajudam a analisar constantemente nossas a\u00e7\u00f5es. Uma educadora Pikleriana n\u00e3o deixaria um beb\u00ea que n\u00e3o possui equil\u00edbrio tentar se alimentar sozinho. Isso por que um dos princ\u00edpios Piklerianos \u00e9 a Boa Imagem de Si. Um beb\u00ea que est\u00e1 com fome, tenta se alimentar e por falta de equil\u00edbrio deixa a maior parte de o alimento cair se frustra repetidas vezes, o que n\u00e3o contribui para essa boa imagem de si. Se ele recebe o alimento da m\u00e3o da educadora. pode ser aut\u00f4nomo indo com a boca at\u00e9 a colher, mastigando e engolindo, dando sinais de satisfa\u00e7\u00e3o ou de recusa.<\/p>\n<p>Um educador Pikleriano sabe que a autonomia \u00e9 progressiva, e que, apenas \u00e0 partir da intera\u00e7\u00e3o e observa\u00e7\u00e3o, poder\u00e1 compreender o momento adequado para entregar a colher para o beb\u00ea.<\/p>\n<p>Todas as abordagens se fundamentam em diversas \u00e1reas de conhecimento a partir de OBSERVA\u00c7\u00c3O.<\/p>\n<p>Emmi Pikler, Maria Montessori, L\u00f3riz Malaguzzi n\u00e3o inventaram abordagens.<\/p>\n<p>Suas pr\u00e1ticas se fundamentam em OBSERVA\u00c7\u00d5ES, mas n\u00e3o em um tipo de observa\u00e7\u00e3o qualquer. Eram observa\u00e7\u00f5es com protocolos definidos para as quais se poderiam dar um tratamento qualitativo ou quantitativo. Para criar suas hip\u00f3teses sobre desenvolvimento motor Emmi Pikler observava crian\u00e7as, mas tamb\u00e9m fazia estudos sobre diferentes tabelas de desenvolvimento motor, sobre modelos diferentes de observa\u00e7\u00e3o utilizados em diferentes \u00e1reas das ci\u00eancias. A observa\u00e7\u00e3o lhe ajudava a refinar e escolher quais instrumentos era de valia para os princ\u00edpios que ela havia estabelecido e para o contexto em que estava inserida. Isso significa quebrar obst\u00e1culos epistemol\u00f3gicos. Isso significa acolher conhecimentos para expandir possibilidades.<\/p>\n<p>Que instrumentos de observa\u00e7\u00e3o uso? O que estes instrumentos documentam? O que esses instrumentos comunicam? O que posso saber de cada crian\u00e7a a partir deles?<\/p>\n<p>Penso que no contexto em que vivemos, onde conhecimento se torna manual e produto de uso, \u00e9 urgente que cada um de n\u00f3s nos esforcemos para que nossas pr\u00e1ticas n\u00e3o sejam r\u00f3tulos. Precisamos compreender que o questionamento, a d\u00favida, aprofundamento, as pesquisas, as incertezas, os di\u00e1logos e especialmente os PRINC\u00cdPIOS precisam estar presentes quando queremos acolher a maneira de conhecer o mundo, que s\u00e3o pr\u00f3prias das crian\u00e7as, mas, tamb\u00e9m, como diz a professora Sylvia Nabinguer, quando queremos <strong>praticar:<\/strong><\/p>\n<p>Uma maneira consciente, consistente, coerente e afetuosa de entregar o Mundo a elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em><strong>Leila Oliveira<br \/>\nCosta\u00a0<\/strong><\/em><em><strong>Mestre em Educa\u00e7\u00e3o<br \/>\nEspecialista em Educa\u00e7\u00e3o de 0 a 3 anos.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que voc\u00eas usam a caixa de luz? Porque nossa escola tem um \u201cEstilo Reggio Emilia\u201d. 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