Até pouquíssimo tempo atrás, muito se falava em respeitar o tempo e o espaço das crianças; que cada criança é única e, portanto, tem seu ritmo próprio! Que a escola e os respectivos educadores deveriam ter sensibilidade para observar e planejar de maneira individual…

O discurso também era que a mídia fazia muito mal às crianças, não favorecia a infância, levando, muitas vezes, os pequenos à dependência.

Mas o que estamos vendo e vivendo em tempos de pandemia?

Discursos engavetados, teorias jogadas no lixo, concepções de criança e escola absolutamente equivocadas, e uma prática distante do universo infantil!  Muitas escolas estão invadindo as casas das famílias sem pedir licença, ditando regras e padronizando as crianças. Então, será que teremos que continuar com um sistema educativo que para muitos já é obsoleto?

Ouço e vejo crianças pequenas, às vezes bebês, passarem horas no computador, escolas obrigando seus educadores a ministrarem “aulas” online, muitas famílias desesperadas e cansadas para tentarem “dar conta” dessa jornada, colocando-se no papel dos professores, e a pergunta que fica é:

Por que? Para quê? Qual o objetivo disso? O que seria educativo em uma fase em que as famílias precisam de compreensão, acolhimento, e as crianças de adultos mais tranquilos emocionalmente? Onde foi parar o sentimento de empatia das escolas?

Mais do que nunca é necessária uma mudança de postura da escola. Precisamos ouvir, observar e perceber sutilmente do que realmente as crianças estão precisando, e com quais recursos as famílias contam. Talvez, seja tempo para as escolas se colocarem em um novo papel, que se ajuste a esta realidade. Mais do que conteúdos, “aulas”, obrigações em tempo real, com hora marcada, e às vezes até com uso de uniformes em casa, considero importante, neste momento, acolher as angústias e as dúvidas das famílias, refletir e agir solidária e cooperativamente, mantendo a proximidade das crianças, através de uma ou outra “contação” de história, ou sugestão de atividade, ou ainda uma “cantação” suave de música, mas que não seja nada obrigatório, com horário marcado, diariamente! Afinal, estamos falando de crianças, de infância, de liberdade, de brincadeiras, de sociabilização, de inteiração, de autonomia, de criatividade! Lembram quando vocês pais fizeram matrículas nas escolas UNIEPRE, e me ouviram falar de tudo isso? Lembram da opção que fizeram para seus filhos, a qual com certeza se alinha às suas crenças e valores?

Assim, precisamos aliviar a carga dos adultos para que eles consigam construir uma relação mais harmoniosa, mais humana, de interação afetiva efetiva e de propriedade com uma realidade que está proporcionando a todos, famílias e crianças, uma convivência que talvez suas infâncias não teriam tido a oportunidade de experimentar, não fosse, antagonicamente, esta pandemia!

Vamos valorizar o que verdadeiramente é importa nesse momento?

– AMAR DE MANEIRA LEVE

– FALAR DE MANEIRA SUAVE

– ENTENDER VERDADEIRAMENTE

– SORRIR ESPONTANEAMENTE

– ABRAÇAR, NEM QUE SEJA VIRTUALMENTE

– BRINCAR SUTILMENTE

– VIVER INTENSAMENTE!

Contem sempre conosco!

Flávia Vasconcellos Gusmão e equipe
Diretora – Grupo UNIEPRE | Maio/20.