O gesto, o toque, a temperatura, a intensidade. A maneira como se utiliza as mãos é determinante para a formação do vínculo com o outro, seja ele adulto, criança e/ou bebê. As mãos dizem muito! Transmitem segurança ou insegurança, tem o poder de acolher ou afastar, acomodar ou incomodar. Com as mãos provocamos os mais diferentes sentimentos.

Já pensou como tem utilizado suas mãos?

“A mão de uma educadora precisa ser um exemplo da sensibilidade com que se tratam os mínimos detalhes e do valor que se dá às atitudes aparentemente irrelevantes no contato diário e regular adulto – bebê.”

(A Mão da educadora, revista INFÂNCIA número 11, 1992)

Em uma rotina frenética de cuidados, pegamos as crianças por muitas vezes durante um mesmo dia. Os movimentos se repetem com frequência; assim, com a prática, os movimentos se tornam cada vez mais rápidos e, de forma automática, o cérebro não registra e associa o gesto com os demais sentidos. É como tecer uma colcha com pensamentos adversos.

O bem estar da criança depende, principalmente, do adulto, e da maneira como este a toca. Movimentos rotineiros, “mal interpretados”, são desagradáveis e excluem outras formas de relação criança – adulto.

 “As mãos podem refletir, para aquele que sabe observar, as mesmas emoções de um rosto, ou melhor ainda que um rosto, já que as mãos escapam mais do controle da própria vontade.” (Anna Tardos)

O cuidar ainda mais relevante é aquele que associa as mãos aos demais sentidos. O conjunto mostra que a cultura das mãos e os movimentos conscientes permitem cuidar do outro de forma que se sinta alegre, bem, tranquilo, favorecendo o comportamento recíproco, que colabora com a construção do aprendizado e com a formação empática. São muitas emoções sutis e marcantes que estão envolvidas nessa relação.  A RELAÇÃO se CONSTRÓI SOBRE ESSE ENCONTRO DE DESEJOS e EXPECTATIVAS, através do contato físico direto e indireto.

 

 

Neste período do ano, são planejadas inúmeras atividades para acolher a criança na escola, para colaborar com a sua adaptação e/ou readaptação. Planejamos as atividades, a organização do tempo, e do espaço. Porém, o mais importante  é “planejar” a forma como vai receber e pegar a ou na criança.  “Planejar” como deseja se relacionar, “planejar” para poder esperar e, assim, respeitar o tempo, a escolha, a atitude do outro,   “planejar”  o próprio corpo para se comunicar de forma afetiva e acolhedora também através da fala e do olhar.

 

 

 

É através das mãos  que se dá a relação, a acolhida, a adaptação, a readaptação.

 Dê as mãos!

A mão e a postura do adulto são para o pequeno uma fonte importânte  de experiências. É o modelo de como se deve agir com o outro.

E assim começamos 2018.

Por: Luana Gonçalves
Gerente Unidade CUMMINS