Desde os povos primitivos o lúdico já era presente. Na antiguidade Greco-Romana, o jogo era visto como algo para descontrair, não havendo nenhuma relação com a educação. Na Idade Média, o jogo passa a ser uma ação de azar e portanto, pecaminosa e proibida. No Renascimento, o jogo é usado nos centros acadêmicos, porém sua utilização na educação não acontecia. Somente a partir de pesquisas na área da psicologia infantil, a criança começa a ser vista como um ser capaz de compreender a realidade e de elaborar conhecimentos. E o jogo, por ser uma atividade natural na infância, passa a ser um instrumento de grande valor para o desenvolvimento infantil.

“A criança sempre brincou”. Essa afirmação possibilita a constatação de que a ação de brincar é própria da criança; entretanto, a ação de brincar necessitando de tempo e de espaço para acontecer.

O educador precisa compreender a importância do brincar para não utilizá-lo somente como recurso didático, ou ir para o extremo de conceber a brincadeira como um mero passatempo.  A simples ação de brincar favorece o desenvolvimento, e, para que o educador participe deste processo, são necessários um olhar atento e possibilitar tempo, espaço e material adequados para que a brincadeira aconteça, além de identificar todas as possibilidades de aprendizagem que as brincadeiras proporcionam nos aspectos motores, sensoriais, cognitivos, afetivos e sociais.

O brincar dos bebês

“Uma criança emocionalmente bem ajustada tem infinitas ideias, enquanto o interesse de uma criança com dificuldades é constrangido, como se seu desejo de experimentar, descobrir e aprender houvesse acabado. A propósito, pode-se identificar uma criança infeliz pela superficialidade de seu brincar.”

                                                            (KÀLLO e BALLOG)

Ao brincar a criança explora suas competências, resolve problemas, compreende a capacidade das coisas, exercita a autonomia, exerce interação com o outro, assim como entra em contato com a cultura através do aprendizado de brincadeiras.

Assim, os brinquedos devem ser organizados de forma a favorecer a brincadeira. Caixas cheias de brinquedos misturados não colaboram com o brincar. O ideal é organizar espaços, onde a criança encontra um lugar gostoso para realizar suas brincadeiras; aqui o que vale é a imaginação do professor de criar e envolver seus alunos nessa organização. O educador com sua turma pode optar por alguns espaços fixos e outros que são modificados conforme o desejo do grupo.

Um convite para brincar

É de extrema importância que os brinquedos estejam ao alcance da criança para que ela tenha independência para pegá-los e autonomia para escolhê-los. Esses espaços bem organizados também favorecem a integração entre elas, que tomam decisões, planejam ações e criam situações para a brincadeira acontecer, aprendendo a ouvir, argumentar, expor idéias e sentimentos. Os espaços também precisam ser planejados de forma que meninos e meninas brinquem espontaneamente com diferentes brinquedos, sem haver divisão de brincadeiras para meninos e brincadeiras para meninas.

O brincar traz a possibilidade da criação e da transformação, tornando-se um importante instrumento para a prática educacional, pois a chave do saber está no ato de criar e de transformar.

Por Patricia Bignardi
Gerente do Núcleo Pedagógico – UNIEPRE